Compreender a tecnologia das câmaras: resolução de vídeo

Um guia rápido sobre como escolher a resolução de vídeo certa pode dar-lhe mais flexibilidade criativa – antes, durante e depois da gravação.
Giulia Gartner a utilizar uma câmara Canon EOS R6 V para filmar Luis Alkmim, um atleta de parkour sediado em Lisboa, Portugal.

Dizem que tudo o que é bom, em excesso, acaba por se tornar mau. Claramente, quem inventou a frase nunca tentou recortar um vídeo vertical de 9:16 para redes sociais a partir de filmagens em ecrã panorâmico de 16:9.

No que diz respeito à resolução de vídeo, as regras da moderação raramente se aplicam. Quando se está a editar, nunca se tem píxeis a mais – apenas espaço de armazenamento e RAM a menos. Tanto a Canon EOS R50 V como a PowerShot V1 oferecem gravação em 4K UHD, por exemplo, proporcionando quatro vezes mais píxeis do que o Full HD (1080p), para uma imagem mais detalhada. A gama de câmaras da Canon também inclui modelos capazes de gravar com resoluções superiores a 4K, incluindo a EOS R6 V, que lhe permite gravar vídeos até 7K.

Se apenas gravar vídeos para o YouTube e vídeos para as redes sociais em 4K ou Full HD, poderá parecer desnecessário gravar com uma resolução superior. Um desperdício, até. Afinal de contas, as filmagens com resolução mais elevada ocupam muito espaço de armazenamento e aumentam o tempo necessário para transferir e processar os vídeos.

No entanto, oferecem uma flexibilidade incrível na edição dos conteúdos. A possibilidade de recortar um fotograma em 4K ou Full HD a partir de uma filmagem em 7K permite reenquadrar na pós-produção sem sacrificar a qualidade. Pode criar planos mais fechados a partir de uma única posição da câmara, ou fazer zoom digital ou deslocar para obter uma visão mais ampla. Também facilita a aplicação da estabilização de imagem digital em filmagens sem tripé.

Um homem numa paisagem montanhosa, enquadrado por marcadores de rácio de aspeto num ecrã Open Gate da Canon EOS R6 Mark III.

A gravação Open Gate capta uma área da imagem maior do que o rácio de aspeto de um vídeo tradicional, permitindo recortar clipes verticais e horizontais de alta qualidade a partir de um único vídeo. Os marcadores de rácio de aspeto no ecrã ajudam a enquadrar ambos enquanto filma.

Qual é a vantagem da gravação Open Gate?

A gravação Open Gate leva isto para o próximo nível. Disponível na Canon EOS R6 V e noutras câmaras Canon selecionadas, a gravação Open Gate capta a área total de 3:2 do sensor em vez de a recortar para um rácio de aspeto pré-selecionado, como 16:9.

Isto não só proporciona ainda mais liberdade para reenquadrar fotografias, como também permite recortar vários rácios de aspeto a partir de um único clipe, tirando o máximo partido da resolução do sensor. Pode fazer um recorte em ecrã panorâmico 16:9 e um recorte vertical 9:16 a partir da mesma filmagem, sem comprometer o aspeto cinematográfico das suas filmagens.

A possibilidade de fazer edições na vertical e na horizontal sem ter de alterar a orientação da câmara representa uma enorme poupança de tempo, especialmente quando está a captar eventos únicos ou a filmar em locais aos quais é demasiado difícil ou dispendioso regressar.

É uma verdadeira vantagem para os Reels e os Shorts, afirma o realizador Daniel Ernst, cujos vídeos tipo documentário cinematográfico são frequentemente filmados em locais selvagens e remotos. "As pessoas querem ver conteúdos verticais nas redes sociais, mas eu não gosto de gravar na vertical. Por isso, é ótimo ter agora a opção de gravar na horizontal e depois basta recortar."

O Daniel também tira partido do Open Gate de forma criativa no seu trabalho. "Se tiver uma cena que foi captada com a câmara fixa num tripé, pode adicionar algum movimento à composição na pós-produção", afirma. "Há tanta informação de vídeo na parte superior e inferior que é possível, efetivamente, inclinar a câmara para cima ou para baixo, mesmo que se trate de uma filmagem estática. É possível reduzir mais o zoom e deslocar-se para a esquerda ou para a direita, o que constitui uma grande vantagem para o meu trabalho."

Este é um truque útil para os criadores a solo: ao adicionar movimentos subtis da câmara ou ao cortar para um plano mais fechado ou mais aberto na pós-produção, uma filmagem estática torna-se mais dinâmica. Essa área da imagem adicional é quase como ter um segundo ângulo de câmara disponível muito tempo depois de a filmagem ter terminado, fazendo com que uma filmagem fixa renda muito mais.

O que é a sobreamostragem?

Para além das oportunidades criativas resultantes da utilização de vídeo em 6K, 7K ou mesmo 8K num fluxo de trabalho 4K, a gravação a uma resolução mais elevada também resultar num vídeo em 4K com melhor qualidade do que as filmagens nativamente em 4K.

Isto deve-se a um processo denominado sobreamostragem, uma caraterística de muitas câmaras Canon, incluindo a EOS R6 V e a EOS R50 V. A câmara começa por capturar uma imagem com uma resolução superior à da gravação final e, em seguida, utiliza esses dados de imagem adicionais para produzir o resultado final com uma resolução inferior. Pense nisso como se fosse reduzir uma imagem maior e mais detalhada numa imagem mais pequena. O resultado é uma maior nitidez, com ruído e efeito moiré reduzidos.

Para ativar a sobreamostragem nas câmaras Canon do sistema EOS R compatíveis, basta escolher a opção Fine ou HQ (High Quality) indicada no separador do tamanho de gravação de vídeos (Movie Rec. Size).

As ranhuras do cartão de memória da Canon EOS R6 V com um cartão CFexpress numa ranhura e um cartão SD a ser inserido na outra.

A EOS R6 V oferece gravação em dois cartões, permitindo-lhe gravar simultaneamente um ficheiro de vídeo em 4K no cartão CFexpress e um ficheiro proxy em 2K ou Full HD no cartão SD, o que lhe permite trabalhar rapidamente com o proxy de baixa resolução.

Filmar vídeos com resoluções padrão

Uma das desvantagens de filmar vídeos com uma resolução mais elevada é a pressão exercida sobre o processador da câmara, especialmente se estiver a filmar em RAW. Mas a EOS R6 V e algumas câmaras profissionais da Canon estão equipadas com arrefecimento ativo para ajudar a regular o calor gerado durante tarefas exigentes, como a gravação RAW em 7K Open Gate.

A gestão de ficheiros e do armazenamento é outro aspeto a ter em conta ao trabalhar com conteúdos de maior resolução. Com as suas ranhuras para dois cartões, a EOS R6 V pode ser configurada para guardar os seus ficheiros de alta resolução principais num cartão e os ficheiros proxy de baixa resolução noutro.

A edição com ficheiros proxy permite-lhe trabalhar muito mais rapidamente. Por serem muito mais pequenos, os ficheiros proxy são mais fáceis de carregar e transferir entre unidades, mantendo ao mesmo tempo as filmagens originais de alta resolução guardadas em segurança até ser necessário.

Isto não significa que deve filmar sempre na resolução mais elevada possível. Se estiver a filmar um evento durante todo o dia ou a viajar com armazenamento limitado, o 4K padrão é uma escolha prática que continua a proporcionar uma excelente qualidade de imagem.

Quando Daniel Ernst utilizou a EOS C50 na Patagónia – uma câmara com capacidades de gravação em 7K Open Gate semelhantes às das EOS R6 V – reservou os 7K para filmagens específicas. "Para além disso, fotografei tudo em 4K", afirma. "Tinha de estar atento ao armazenamento. Fomos fazer uma caminhada e tinha de transportar todo o meu equipamento, incluindo uma tenda, um fogão a gás e comida, por isso não levei o meu portátil."

Em última análise, filmar com uma resolução mais elevada não se resume apenas a capturar mais píxeis. Trata-se de proporcionar a si próprio mais opções criativas na edição, seja reenquadrando uma filmagem, produzindo vários formatos a partir de uma única gravação ou maximizando a qualidade através da sobreamostragem. Quando não precisa dessa flexibilidade, é fácil mudar para 4K para um fluxo de trabalho mais leve.

Marcus Hawkins

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