Florence Ezeh: colega, treinadora, campeã

4 mín.
Uma bola de lançamento do martelo prateada, ligada a um cabo de aço, repousa sobre a relva verde.

"No início, chorei muito porque me sentia muito frustrada. Sabia que era capaz, mas a verdade é que o resultado não aparecia. Perguntamos a nós próprios: ‘Porquê? Por que é que não consigo que aconteça?' E, depois, transformamos isso em força."

Isto é o que significa ser determinado, ter aquela garra e determinação necessárias para vencer. E, caramba, a Florence Ezeh tem isso de sobra. A Florence (ou Flo para os amigos e colegas) trabalha na área de desenvolvimento de negócio do nosso Integrated Printing & Services Group, acompanhando os clientes DreamLabo 5000 e apoiando a equipa de Large Format Print. E embora, obviamente, a consideremos uma campeã, bem… na verdade, ela é mesmo isso.

Isto porque a Florence chegou à Canon após uma carreira incrível e notável como atleta profissional, representando tanto a França como o Togo no lançamento do martelo em campeonatos a nível internacional. Mas por onde começar afinal, para se tornar um atleta de nível mundial numa modalidade destas? Segundo Florence, embora se trate de uma verdadeira determinação, motivação e enorme vontade de vencer, o percurso não foi, de forma alguma, fácil. "Uma professora de Educação Física, a Sra. Odile Morcet, deu-me a conhecer o lançamento do peso e participei numa competição onde vi um grupo de rapazes a lançar o martelo", recorda ela. "Eu disse: 'Quero fazer aquilo!', mas responderam-me que 'não, isso não é para raparigas'.”

Um ano mais tarde, isso mudou e as raparigas foram autorizadas a treinar o lançamento do martelo. Pouco depois, foi apresentada a Walter Ciofani, que viria a ser o seu treinador ao longo de toda a carreira. "Ele competiu em três Campeonatos do Mundo e nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984", diz ela. "É muito conhecido e respeitado, e ensinou-me imenso." Foi ele quem mostrou a Florence como transformar a sua frustração em força, ensinando-a a agarrar em cada revés e a canalizá-lo em puro poder e vontade de vencer. E é esta qualidade que a tem acompanhado ao longo da vida, encarando cada desafio como uma oportunidade para superar, crescer e triunfar.

Florence Ezeh encontra-se de pé dentro de um círculo de cimento para lançamento do martelo, numa pista de atletismo ao ar livre. Veste um polo cinzento e calças pretas e segura uma bandeira vermelha e uma bandeira branca. No chão, junto aos seus pés, está uma bola amarela de lançamento do martelo, ligado ao cabo de aço que ela segura.

No entanto, foi uma bolsa de estudo de atletismo na Southern Methodist University em Dallas, no Texas (onde também estudou Gestão e Alemão), que a colocou definitivamente no mapa das competições, sob a orientação do treinador principal de atletismo, Dave Wollman. Viajou pelo mundo com um grupo de elite de estudantes atletas que, tal como ela, vinham de todos os cantos do mundo. "As instalações nas universidades americanas são de outro mundo e a bolsa significava que eu não tinha de me preocupar com nada – uma pessoa concentra-se apenas em treinar e competir." E o treino é tanto fisicamente duro como mentalmente implacável. "Cinco ou seis vezes por semana. As pessoas não têm noção de que, entre treinos e recuperação, ser atleta profissional é um trabalho a tempo inteiro”, afirma.

Florence mantinha uma rotina rigorosa de três horas matinais de treinos, exercícios e musculação entre aulas, seguida de lançamentos e alongamentos à tarde, demonstrando uma notável dedicação e resistência física e mental. "Leva a mente e o corpo ao limite e, às vezes, ficas tão cansada, mas sabes que tens de voltar no dia seguinte", acrescenta. Mas, de forma um pouco surpreendente, ri-se da recordação, o que diz muito sobre o caráter de Florence. Ela não tem, de todo, medo do trabalho árduo. "Quando me retirei do lançamento do martelo e entrei para a Canon, o Charles Gozlan (Business Operations Director na Canon France) disse-me: 'Escolhi-te porque és uma antiga atleta. Porque se eu te der uma tarefa, sei que a vais cumprir. És dedicada." E ele tinha toda a razão.

No seu auge, competia pela França em Campeonatos do Mundo e da Europa. No entanto, a sua retirada em 2004 não correu como planeado, pois foi convidada a representar o Togo em vários eventos africanos de grande destaque. "Era um mundo totalmente diferente – o espírito, a entrega... Adorei." Acabou por se retirar formalmente mais tarde – mas apenas das competições, claro. Não tinha, de forma alguma, qualquer intenção de deixar o desporto para trás. "Era importante para mim retribuir", explica. "Por isso, comecei a treinar em 2008 e tirei a minha licenciatura em treino desportivo. Queria muito mostrar às pessoas que, independentemente do lugar onde comeces, há sempre espaço para melhorar. Mas é preciso muita organização e dedicação, e avançar passo a passo – definir objetivos e alcançá-los. Assim que aprendes esta lição, é para a vida."

As pessoas não têm noção de que, entre treinos e recuperação, ser atleta profissional é um trabalho a tempo inteiro."

Hoje em dia, trabalha a tempo inteiro na Canon, acumulando com a atividade de treinadora no Club Athlétique de Montreuil 93, onde também é vice-presidente. Nos seus tempos livres e durante as férias anuais, dedica-se à arbitragem e ao voluntariado no atletismo. "Também sou responsável pelo desenvolvimento dos lançamentos na região de Paris, por isso organizo dois estágios por ano, além do trabalho como treinadora", explica. "Acredito que há pessoas que são colocadas no nosso caminho para nos elevar e é isso que tento fazer pelos atletas com quem trabalho. Sou um trampolim para que alcancem o seu potencial máximo."

Para conseguir tudo isto, é preciso alguém que saiba lidar com as pessoas, que tenha capacidades organizacionais verdadeiramente incríveis, mas também com uma motivação ao nível dos campeões. E esta consciência não se limita ao mundo do atletismo. Ela gosta particularmente do trabalho que desenvolve junto dos nossos clientes, ajudando-os também a crescer mais rapidamente e a obter melhores resultados. Na FESPA Global Print Expo deste ano, Florence ficou radiante por estar cara a cara com clientes novos e antigos. "Interagimos, aprendemos e temos a oportunidade de conhecer pessoas das mais diversas origens", sorri.

A sua determinação em alcançar o sucesso na carreira é exatamente igual à que tinha quando competia. Mas o mais impressionante de tudo é o desejo de Florence de que os outros também vençam – clientes, colegas e as jovens mulheres que treina para serem a próxima geração de atletas no palco mundial. "Nos treinos, digo-lhes: 'Não sejam tímidas.' Precisam de ser vistas’. Quero sempre que elas se superem – que simplesmente arrisquem!"

Relacionado