TÉCNICAS DE LUZ

Oito sugestões para aproveitar ao máximo a luz disponível

A luz é o elemento mais importante de cada fotografia que tiramos. Descubra como obter a melhor luz disponível, seja ela natural ou artificial, e a configuração de que necessita para a captar.
Uma câmara Canon EOS R6 a captar a imagem de uma criança a segurar em balões com a mão e com o pôr do sol em segundo plano.

Quando as condições de iluminação estão em harmonia com a cena ou com o motivo à sua frente, os resultados podem revelar-se sensacionais. Aprender a reconhecer a melhor fonte de luz disponível, seja esta natural ou artificial, pode trazer grandes benefícios. Mas o melhor de tudo é que não precisa de um kit de iluminação dispendioso para tirar o máximo partido. Tudo o que precisa é de ter olho para uma boa iluminação. Assim que começar a procurar, vai reparar que a luz está um pouco por todo o lado.

Aqui ficam oito sugestões para dominar a captação com a luz disponível.

1. Utilize a hora do dia em seu benefício

Um barco a navegar pelo Rio Douro no Porto, Portugal, ao meio-dia. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM.

Ao meio-dia num dia de céu limpo, a luz solar tem uma orientação descendente e cria sombras acentuadas ao longo da zona ribeirinha do Porto. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM a 44 mm, 1/125 seg., f/10 e ISO 100.

Pôr do sol sobre o Rio Douro no Porto, Portugal. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM.

Ao final da tarde, o ângulo baixo da luz solar torna-a mais quente, suave e atmosférica. A luz realça os detalhes e destaca o ambiente circundante com um jogo apelativo de altas-luzes e sombras. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM a 24 mm, 1/100 seg., f/10 e ISO 640.

O nosso planeta nunca está parado, pelo que o ângulo e a qualidade da luz natural está em constante mudança. Ao meio-dia, sob um céu limpo e sol brilhante, a luz será descendente e intensa, produzindo imagens com um forte contraste. Normalmente, os fotógrafos não gostam deste tipo de luz. No entanto, pode produzir bons resultados se o objetivo for tornar a luz numa parte da cena.

Quando o sol desce um pouco no céu, a luz tem de percorrer mais da atmosfera da Terra. Comprimentos de onda inferiores no espetro de cores, tal como o azul e o violeta, são dispersos por partículas na atmosfera. Assim, as cores tornam-se mais suaves e quentes. É por isso que a luz do fim de tarde e do pôr do sol é composta por cores vermelhas e amarelas vibrantes e a razão pela qual o período imediatamente após a alvorada e mesmo antes do pôr do sol é conhecido como a hora dourada.

2. Aproveite ao máximo as condições meteorológicas

Árvores despidas envoltas num nevoeiro azul. Tirada com uma Canon EOS RP com uma objetiva Canon RF 35mm F1.8 Macro IS STM.

As nuvens e o nevoeiro suavizam e difundem a luz natural, conferindo uma certa melancolia à imagem. Tirada com uma Canon EOS RP com uma objetiva Canon RF 35mm F1.8 MACRO IS STM a 1/160 seg., f/7.1 e ISO 250.

Um homem numa floresta num dia de inverno, com a sua câmara Canon montada num tripé.

A luz difusa de uma manhã de inverno é ideal para captar fotografias atmosféricas em cenários campestres.

As condições meteorológicas têm um grande impacto na qualidade da luz natural. Num dia nublado, as nuvens vão difundir a luz solar e as sombras tornar-se-ão menos acentuadas. Da mesma forma, o nevoeiro e a chuva podem suavizar e tornar a luz mais fria.

A época do ano também desempenha um papel importante. Dependendo do local do mundo onde se encontra, mas geralmente no inverno, a inclinação da Terra significa que o sol está mais longe, tornando o ângulo da luz mais agudo. Por isso, mesmo que os dias sejam mais curtos, temos efetivamente mais luz direcional à nossa disposição. Por outro lado, durante o verão, o sol coloca-se num local mais alto no céu e, por isso, a luz é mais descendente e menos favorável à fotografia por volta do meio-dia.

"A sua escolha de definições pode ser mais complicada de gerir no inverno ao captar a neve ou os céus nublados", explica o Embaixador da Canon Sebastien Devaud. "O melhor é aumentar um pouco a sua exposição comparativamente à definição de exposição automática, para que a neve ou o céu aparentem ser mais brancos do que cinzentos. Captar a preto e branco é uma boa forma de melhorar o lado dramático desta época, enquanto a névoa, o nevoeiro, as nuvens baixas ou a água podem também conferir uma expressão peculiar às fotografias de inverno."

3. Tire proveito da luz disponível para captar retratos

Um retrato iluminado lateralmente e tirado com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM, de uma pessoa com cabelo louro e encaracolado a olhar diretamente para a câmara.

O posicionamento de um motivo junto a uma janela ou claraboia de grandes dimensões é uma forma ideal de aproveitar a luz disponível. A janela à esquerda da câmara cria uma fonte apelativa de luz suave e natural. Pode experimentar utilizar cortinas ou redes para difundir a luz de acordo com o efeito pretendido. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM a 1/200 seg., f/2.8 e ISO 500.

Uma bailarina equilibra-se sobre uma perna com os braços esticados enquanto a luz solar entra através das persianas à sua frente. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.2L USM.

A luz solar brilhante que entra pelas persianas foi utilizada para um efeito mais dramático, formando um elemento crucial da imagem. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.2L USM a 1/1500 seg., f/2 e ISO 200. © Javier Cortes – Embaixador da Canon

Na maior parte dos ambientes interiores, é provável que existam excelentes fontes de luz natural que pode utilizar nas suas fotografias. Uma janela oferece um fonte de iluminação suave semelhante a uma softbox num estúdio. Por isso, caso esteja a fotografar pessoas no interior, peça-lhes para se aproximarem de uma janela e desligue todas as luzes artificiais.

Também pode utilizar um refletor para refletir a luz do exterior para o motivo. Um refletor pode ser algo tão simples como um pedaço grande de cartão branco ou uma folha de alumínio. O refletor cria uma luz suave e natural, que pode inclinar e direcionar como se estivesse a apontar um flash.

Uma criança num campo com o braço encostado a um poste de madeira. A luz solar direta cria sombras acentuadas sobre o seu rosto. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM.

Um simples refletor pode ser útil para fotografar retratos em dias solarengos. Aqui, a luz solar direta cria sombras acentuadas. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM a 1/250 seg., f/5.6 e ISO 100.

Uma criança num campo com o braço encostado a um poste de madeira. Foi utilizado um refletor para suavizar a luz. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM.

Nesta imagem, o refletor é utilizado para refletir a luz nas sombras e para reduzir o contraste. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM a 1/250 seg., f/5.6 e ISO 100.

A qualidade da luz faz uma grande diferença nos seus retratos ao ar livre. A luz brilhante do sol pode ser muito pouco favorável para os rostos, uma vez que cria sombras acentuadas e faz com que os motivos fechem os olhos. As condições de tempo nublado são perfeitas, uma vez que a luz suave reduz as sombras.

Se o sol estiver a brilhar e não poder esperar que as nuvens o encubram, pode tentar fotografar retratos à sombra de uma árvore ou de um edifício, uma vez que a luz será mais suave e favorável para os rostos. Em alternativa, pode tentar controlar a luz com um refletor, seja cobrindo o motivo de sombras, refletindo a luz nas sombras ou utilizando um painel de difusão. Um refletor 5 em 1 eficiente e acessível é o ideal. Ao escolher a cor do refletor, tenha em conta o tom de pele do modelo.

Uma criança num campo com o braço encostado a um poste de madeira. Foi usado um refletor para criar sombras no seu rosto. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM.

Aqui, o refletor foi utilizado para criar sombras no rosto de forma a proporcionar resultados mais suaves. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM a 1/250 seg., f/5.6 e ISO 640.

Uma criança num campo com o braço encostado a um poste de madeira. Foi utilizado um painel de difusão para suavizar a luz solar. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM.

Em comparação com um refletor 5 em 1, o painel de difusão suaviza a luz solar e cria um retrato mais equilibrado. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 50mm F1.8 STM a 1/250 seg., f/5.6 e ISO 100.

4. Utilize as condições de pouca luz em seu favor

Uma árvore isolada numa encosta, com a silhueta em contraste com o céu azul ao entardecer. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM.

A estabilização de imagem no corpo (IBIS) nas câmaras do sistema EOS R, como a EOS R6, permite-lhe captar imagens sem tripé em condições de pouca luz e com velocidades de obturação lentas, por exemplo, na casa dos segundos. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM a 27 mm, 2 seg., f/11 e ISO 100.

À medida que o sol se põe no horizonte, a restante luz natural assume as cores azuis frias do entardecer. Este pode ser um momento oportuno para sair e levar a sua câmara. No entanto, uma vez que os níveis de luz são tão baixos, irá precisar de uma câmara com um bom desempenho em condições de pouca luz. As câmaras com sensores maiores são capazes de captar mais luz natural, especialmente quando utilizadas em combinação com uma objetiva com uma grande abertura máxima.

Ao entardecer, poderá ter de diminuir a velocidade do obturador para permitir a passagem de mais luz pelo sensor da câmara. As câmaras Canon mirrorless do sistema EOS R proporcionam um IBIS inovador, para que possa segurar a câmara com a mão em exposições de um segundo ou mais sem ter de se preocupar com a vibração da mesma.

5. Escolha as melhores definições tendo em conta o ambiente que o rodeia

Grande plano de uma objetiva Canon de 50 mm colocada numa Canon EOS R6.

As objetivas com uma abertura mais ampla ou "mais rápida", como a Canon RF 50mm F1.8 STM ou a RF 24mm F1.8 MACRO IS STM, são ideais para fotografias com luz baixa.

Ecrã de uma Canon EOS R6 onde é possível ver as definições do modo manual.

Experimente utilizar o modo manual (M) com ISO automático para imagens com luz natural, para que tenha controlo sobre a velocidade do obturador e a abertura.

Caso esteja confortável em definir a abertura e a velocidade do obturador, um dos melhores modos de exposição para a captação com luz natural é o modo manual (M) com ISO automático. Desta forma, a câmara determina o melhor ISO tendo em conta a luz disponível. Uma boa definição de exposição geral à luz do dia diz respeito a uma velocidade do obturador de 1/200 seg., abertura f/8 e ISO automático. Ao final da tarde, quando os níveis de luz são inferiores, defina a abertura para f/2.8 ou utilize a maior abertura possível para manter os níveis do ISO baixos, de forma a obter fotografias mais nítidas e com menos ruído. É aqui que uma objetiva com uma abertura máxima rápida, como a Canon RF 50mm F1.8 STM, se revela essencial.

As condições de pouca luz fazem com que, muitas vezes, a captação com um ISO elevado possa resultar num maior ruído da imagem. A focagem automática também pode ser mais desafiante. No entanto, ao utilizar uma câmara com um bom desempenho em condições de pouca luz, tal como a Canon EOS R6 ou a EOS R7, pode obter resultados nítidos com um ISO elevado, como 3200 ou superior. Além disso, o sistema de focagem automática líder da sua classe funciona na escuridão quase total.

6. Faça corresponder o equilíbrio de brancos às condições da temperatura

Ecrã tátil na parte de trás de uma câmara Canon a exibir flores cor-de-rosa e com o modo de câmara definido para Nublado.

Faça corresponder as suas definições de balanço de brancos às condições em que se encontra para que as cores se mantenham corretas.

Para além da qualidade da luz natural, também devemos ter em atenção a cor. Trata-se de algo que pode mudar ao longo do dia. De manhã, a luz é bastante quente. Ao meio-dia é mais fria e ao fim da tarde volta a tornar-se mais quente. Isto pode-se medir em graus Kelvin e a mudança pode dar-se de 2000 K durante a madrugada para 7000 K em plena luz do dia.

As cores também podem tornar-se mais frias se estiver à sombra ou sob uma nuvem. Como tal, defina o equilíbrio de brancos para corresponder às condições utilizando um dos modos predefinidos. Em caso de dúvida, fotografe em formato RAW, pois mais tarde poderá selecionar qualquer equilíbrio de brancos durante a edição das imagens num software de processamento e de edição de imagens RAW, tal como o Digital Photo Professional gratuito da Canon.

7. Fotografe exposições longas depois de escurecer

Uma única árvore alta ao amanhecer, com um vasto céu azul por trás. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM.

Aqui, a exposição longa desfoca as nuvens em movimento lento. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM a 29 mm, 137 seg., f/22 e ISO 100.

Uma câmara Canon direcionada para uma árvore isolada juntamente com um smartphone onde é possível ver a aplicação Camera Connect da Canon.

Pode utilizar a aplicação Camera Connect da Canon para iniciar e parar exposições "Bulb" com o seu telemóvel; é assim tão simples.

O posicionamento da câmara numa superfície estável ou num tripé permite-lhe captar cenas ao entardecer ou mesmo ao luar, uma vez que lhe permite fotografar com velocidades de obturação muito lentas, na casa dos vários segundos ou mais. Se emparelhar a sua câmara com a aplicação Camera Connect da Canon, pode utilizar o seu telemóvel para acionar o obturador, iniciar e parar exposições "Bulb" e fotografar remotamente. Tal é útil se a sua câmara estiver numa posição em que seja difícil ver o ecrã LCD, ou para fotografias em que até o menor movimento da câmara possa causar desfocagem ou estragar o efeito.

8. Preste atenção ao seu motivo e ao ambiente que o rodeia

Criança sentada numa cerca a segurar em vários balões com a silhueta em contraste com o pôr do sol. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM.

Utilize uma compensação de exposição negativa para subexpor o primeiro plano e criar silhuetas arrojadas em contraste com o pôr do sol. Tirada com uma Canon EOS R6 com uma objetiva Canon RF 24-105mm F4-7.1 IS STM a 24 mm, 1/250 seg., f/16 e ISO 100.

Uma imagem captada em condições de pouca luz de uma modelo com uma camisa com folhos a posar em frente a candeeiros de rua desfocados. Tirada com uma Canon EOS R com uma objetiva Canon RF 85mm F1.2L USM DS.

Os candeeiros de rua desfocados conferem um cenário atmosférico a este retrato em condições de pouca luz. Tirada com uma Canon EOS R com uma objetiva Canon RF 85mm F1.2L USM DS a 1/160 seg., f/1.2 e ISO 800.

Diferentes qualidades de luz natural podem adequar-se a determinados motivos. A luz subtil de uma janela, por exemplo, pode ser ideal para retratos melancólicos e mais discretos. Em contraste, a luz solar direta é excelente para revelar cores e texturas vibrantes, tal como pelo ou penas, nas fotografias de vida selvagem. As sombras alongadas podem funcionar de forma brilhante em cenas arquitetónicas e urbanas, enquanto a retroiluminação do pôr do sol é ideal para captar silhuetas em contraste com o céu vibrante.

Também pode aproveitar ao máximo qualquer luz artificial disponível, tal como candeeiros de rua, candeeiros de secretária ou o clarão de uma fogueira ou braseiro.

Existe uma enorme variedade de luz, por isso, sempre que estiver a utilizar a sua câmara, lembre-se: a luz é intensa ou suave, forte ou fraca, quente ou fria, descendente ou lateral? Familiarize-se com estes princípios básicos da iluminação e poderá ter a certeza de que as suas fotografias ficarão excelentes, independentemente das condições em que se encontra.



Escrito por James Paterson

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